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LGPD: o que é, como funciona e para que serve

LGPD: o que é, como funciona e para que serve

A LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados, é uma legislação brasileira que regulamenta as atividades que envolvem dados, de forma a proteger as informações pessoais e a privacidade dos usuários.

O crescimento exponencial da produção de dados no mundo e a exposição cada vez maior das pessoas nas redes sociais abrem margem para as empresas usarem as informações em diversos tipos de análises. Esse excesso de liberdade provocou a necessidade de criar uma legislação específica para lidar com o novo cenário.

A discussão ganhou contornos mais sérios a partir de eventos como o escândalo da Cambridge Analytica, em que dados de usuários do Facebook foram utilizados durante a campanha presidencial dos EUA. Na Europa, isso se deu com a criação da GDPR (General Data Protection Regulation), lei que serviu de base para a LGPD.

Neste artigo, você terá um panorama sobre a LGPD e entenderá como a lei pode afetar as atividades dos profissionais de TI.

O que é a LGPD

A Lei 13.709/2018 foi sancionada em agosto de 2018, fruto de oito anos de debates e adaptações. A sanção não colocou a lei em vigor imediatamente: foi dado um prazo para que as empresas pudessem se adaptar.

A necessidade de uma norma específica aumentou conforme a facilidade de produção e vazamento das informações foi ficando evidente. Hoje, qualquer pessoa com um smartphone produz uma variedade de dados a cada minuto, e os objetos conectados (Internet das Coisas) coletam informações do ambiente e monitoram pessoas.

A LGPD nasce como uma maneira de limitar possíveis abusos e penalizar de forma objetiva o uso desregrado de dados por parte das empresas. O Brasil entra, assim, no grupo de países com legislação específica para regular o tratamento de dados.

Como funciona a LGPD

A lei coloca nas mãos do titular o controle sobre as suas informações. Todo usuário deve permitir, de forma explícita, consciente e espontânea, que empresas utilizem os seus dados pessoais para fins específicos, e esses fins também devem ser explícitos. A LGPD tem grande impacto nas empresas, especialmente nos setores de marketing, TI, comercial e jurídico.

Determinações da LGPD

O usuário deve ter sempre o controle de suas informações, podendo modificar, transportar ou excluir seus dados a qualquer momento e sem burocracia. Cabe às empresas informar os motivos do armazenamento e do tratamento de maneira clara, evitando truques como:

  • o uso de letras miúdas nos termos de adesão;
  • termos enormes e sem objetividade, que a maioria das pessoas acaba pulando;
  • botões pré-selecionados, como "OK", "Aceito" e "Sim", que induzem à aceitação automática.

A justificativa deve explicar como os dados serão usados, por quanto tempo ficarão com a empresa e quando serão eliminados. A empresa também precisa oferecer meios para que o titular acesse e controle seus dados a qualquer momento e, em caso de vazamento ou mudança no tratamento, notificá-lo imediatamente.

Também é preciso designar um responsável pelo controle e pelas práticas relacionadas aos dados. Essa pessoa será a mediadora em caso de problemas e deve orientar todos os colaboradores envolvidos com os dados dos usuários.

Dados pessoais

Dado pessoal é aquele que permite, sozinho ou em conjunto com outros, identificar o seu titular: nome, apelido, endereço, e-mail, endereço IP, números de cartões e cookies. As empresas devem protegê-los e usá-los somente para os fins autorizados pelo titular.

Dados sensíveis

São dados ainda mais reveladores sobre uma pessoa, como religião, etnia, sexo, posicionamento político e biometria. Essas informações exigem um cuidado ainda maior da empresa que se dispõe a armazená-las e tratá-las.

Tratamento de dados

Tratamento é a utilização dos dados do usuário: o que a empresa faz ou pretende fazer com as informações coletadas. Essas intenções devem estar claras para o usuário, que deverá consentir o uso dos dados para esses fins. Não são válidos consentimentos obtidos com letras miúdas ou textos longos e confusos.

Titular dos dados

Titular é qualquer pessoa física que tenha fornecido dados pessoais. Ele tem direitos sobre esses dados, incluindo o direito ao esquecimento, ao acesso e à informação. O artigo 18 da LGPD prevê que o titular pode solicitar, a qualquer momento:

  • confirmação da existência de tratamento dos seus dados;
  • acesso aos seus dados;
  • correção de dados incompletos, inexatos ou desatualizados;
  • anonimização, bloqueio ou eliminação de dados tratados em desconformidade com a lei;
  • portabilidade dos dados a outro fornecedor;
  • eliminação dos dados pessoais tratados;
  • informações sobre as entidades com as quais o controlador compartilhou os dados;
  • informações sobre a possibilidade de não fornecer consentimento e suas consequências;
  • revogação do consentimento;
  • revisão, por pessoa natural, de decisões automatizadas.

Consentimento e o papel da TI

É no setor de TI que as informações são processadas, armazenadas e tratadas, por isso a responsabilidade desses profissionais aumenta com a lei. Um dos fatores primordiais é a adoção do Privacy by Design: a privacidade passa a ser incorporada à arquitetura dos sistemas. A governança de TI dá o suporte necessário, garantindo políticas de segurança digital, privacidade e manutenção de ativos.

Anonimização e pseudoanonimização

A anonimização impossibilita a ligação direta da informação com um usuário; para a LGPD, dados anônimos não são considerados dados pessoais. Já a pseudoanonimização dificulta, mas não impede, essa associação, e por isso os dados continuam sendo considerados pessoais.

Controlador e operador

O controlador toma as decisões sobre o tratamento dos dados. O operador executa o tratamento de acordo com as orientações do controlador. Ambos podem ser pessoas físicas ou jurídicas e respondem juridicamente em caso de descumprimento.

Penalidades por descumprir a LGPD

Qualquer empresa que tenha relação com brasileiros deve se adequar à LGPD, inclusive empresas do exterior. As multas podem chegar a 2% do faturamento, limitadas a R$ 50 milhões por infração. O artigo 52 prevê as seguintes sanções:

  • advertência, com prazo para adoção de medidas corretivas;
  • multa simples de até 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração;
  • multa diária, observado o mesmo limite;
  • publicização da infração após apurada e confirmada;
  • bloqueio dos dados pessoais envolvidos até a regularização;
  • eliminação dos dados pessoais envolvidos.

LGPD e cibersegurança

Os profissionais de TI podem usar a LGPD a seu favor, garantindo boas práticas de segurança de dados nas empresas e evitando multas por uso indevido. Clientes que coletam dados precisarão de backups mais rigorosos e proteção contra invasões. O foco será a prevenção e o tratamento legal das informações.

Quem faz prospecção de clientes por formulários em landing pages e aplicativos também deve adaptar as táticas de captação de dados à lei. Ferramentas de gestão centralizada ajudam a monitorar e automatizar ações de segurança, como backups e atualizações.

Conclusão

A LGPD assegura a privacidade dos usuários e regula a captação, o armazenamento e o tratamento de dados pessoais e sensíveis, dando ao titular controle total sobre suas informações. As empresas devem deixar claro o objetivo da coleta de cada dado e permitir que o usuário autorize, recuse ou peça a remoção a qualquer momento. O descumprimento pode gerar grandes prejuízos, incluindo a interrupção das atividades de tratamento de dados.

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